Quem disse que “adaptar” é sinônimo de “evoluir”?
A estréia do novo filme de Meryl Streep, “Julie & Julia” é uma prova de que os dois verbos estão bem distantes. Ao invés de ser adaptado de um livro – “limitado” pela ausência de imagens, áudio e trilha sonora -, o filme é uma adaptação direta de um blog.
Sim. Um blog.
O filme conta a história real de Julie Powells, blogueira que descreveu na Internet suas experiências com as receitas da famosa chef-apresentadora Julia Child.
Quem era o mais evoluído até então? O cinema ou a literatura? O primeiro, provavelmente, pois servia como uma superação de todas as limitações do segundo. Mas e agora? A premissa de se fazer uma adaptação não seria suprir o que estava faltando na narrativa original? Então porque adaptar (“evoluir”) algo que por si só já é muito evoluído, tal como um blog? Porque fazer um mero filme em cima de algo que oferece muito mais ao usuário? Afinal, se antes o filme oferecia “A”, a Internet chegou para oferecer “A”, “B” e “C”.
Esta seria a prova de que a Internet nunca será capaz de proporcionar a “magia do cinema”? E que esta magia não pode ser comparada à experiência de se ler um bom livro? Adaptação é, portanto, apenas uma mudança de perspectiva.
E não uma maneira melhor de se contar uma história.
Abrindo espaço para uma discussão secundária, há diferença entre o roteiro de um filme baseado em um blog para a tradicional adaptação do livro? Fica a dica: compare os dois bons exemplos (clique no nome do filme para visitar o site): Julie & Julia(estréia em outubro no Brasil) e The Secret Life of Bees (estréia em agosto). Este último, foi baseado na obra da escritora americana Monk Kidd.
Mentiras sobre os filmes adaptados de livros.
Postado por Roda Gigante Filmes às 00:14
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